O show de Jorge Ben Jor no Nubank Parque, em São Paulo, no último sábado (17), foi uma celebração da música brasileira que transcendeu a mera apresentação. Com 87 anos de vida, o artista, que já se tornou uma lenda viva, surpreendeu a todos ao manter um vigor impressionante durante mais de duas horas de performance. A idade, que ele sempre tratou com discrição, pareceu irrelevante diante da energia que emanava do palco.
A expectativa em torno do show, intitulado “Alquimia Popular Brasileira”, gerou curiosidade sobre o repertório, levando muitos a imaginar uma homenagem ao icônico álbum “A Tábua de Esmeralda”. Contudo, o setlist seguiu mais a linha do que o público já conhece, com a inclusão de algumas músicas novas como “Errare Humanum Est”, mas sem grandes desvios do habitual. O visual do show, com telões cúbicos e um telão circular, trouxe um toque de modernidade, embora respeitasse a essência do artista.
Um dos aspectos mais notáveis foi a presença de 51 mil fãs, um feito raro para um artista nacional. Jorge Ben Jor não faz shows frequentemente e não se prende a turnês, o que torna cada apresentação uma ocasião especial. O clima era de celebração, não de despedida, reforçando a importância de se reconhecer e valorizar a trajetória de um ícone enquanto ele ainda está entre nós.
A performance foi marcada por uma sequência impressionante de clássicos como “Magnólia”, “País Tropical” e “Oba Lá Vem Ela”, com Jorge mantendo um estilo lacônico, mas impactante. Um momento tocante ocorreu ao final de “Alcohol”, quando ele trocou “gosto tanto de você” por “gosto tanto de vocês”, emocionando a plateia e levando muitos às lágrimas, incluindo ele mesmo.
O clima político do Brasil, intensificado pela proximidade das eleições presidenciais, permeou o evento, mesmo sem que Jorge Ben Jor se manifestasse abertamente. A inclusão de “Costa do Marfim” provocou reações diversas entre os presentes, com gritos de apoio a candidatos e gestos de polarização. No entanto, nada conseguiu ofuscar a magia da noite, onde artistas como Samuel Rosa, Baby do Brasil, Rael e Edi Rock se reuniram em um único palco, destacando a capacidade de Jorge Ben de unir diferentes vozes e estilos.
Em tempos de divisões e conflitos, Jorge Ben Jor se reafirma como um verdadeiro símbolo da cultura brasileira, capaz de misturar ritmos, alegria e um espírito de coletividade que é a essência do nosso país. Sua música continua a ser um remédio para os desafios da vida, lembrando a todos de que, mesmo nos momentos mais difíceis, a festa e a celebração são possíveis.



