terça-feira, 03/11/2026

O funk do ‘petista disfarçado’ que conquistou a direita brasileira e suas raízes na cultura soviética

A recente popularidade do funk intitulado “Solinho do Fora PT”, que ecoa a frase provocativa “quem ficar parado é petista disfarçado”, revela uma complexa relação entre música, política e história. Utilizando uma melodia que…

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A recente popularidade do funk intitulado “Solinho do Fora PT”, que ecoa a frase provocativa “quem ficar parado é petista disfarçado”, revela uma complexa relação entre música, política e história. Utilizando uma melodia que remonta a mais de 160 anos, a canção, associada a apoiadores de Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026, tem suas origens na Rússia imperial e se tornou um símbolo inesperado de manifestações políticas no Brasil.

A melodia, que é o tema do clássico videogame Tetris, encontra suas raízes no poema “Korobeiniki”, escrito por Nikolai Nekrasov na década de 1860. Originalmente uma canção folclórica, “Korobeiniki” retrata a vida de um vendedor ambulante e uma jovem, conquistando popularidade ao longo do tempo, especialmente após sua adoção pelo coro do Exército Soviético. Essa canção, que não se alinha ao espírito militar ou revolucionário da época, acabou se tornando um dos temas mais reconhecíveis do mundo moderno, ao ser transformada em música de fundo do Tetris, um dos jogos mais icônicos da história.

No Brasil, essa melodia histórica foi incorporada ao funk carioca no início dos anos 2000, quando a Furacão 2000 lançou a canção “Jonathan da Nova Geração”. Desde então, a batida tem sido um recurso recorrente nos bailes cariocas, reforçando a prática comum de remixar e adaptar melodias conhecidas dentro do gênero funk.

Com a campanha eleitoral de 2026, “Solinho do Fora PT” se destacou em comícios e eventos de apoio a candidatos de direita, como Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano, e rapidamente se tornou um hino em blocos de rua. A utilização dessa canção nas campanhas levantou questionamentos sobre a aparente contradição de políticos conservadores, que criticarão o funk por sua associação à “narcocultura”, ao mesmo tempo em que se apropriam de sua popularidade.

Enquanto isso, os artistas do funk, em sua maioria, não se alistaram na onda política da direita. MCs de renome, como Hariel e PH, manifestaram apoio a Lula, revelando uma divisão significativa dentro da cena musical. O deputado Pavanato, que anteriormente se opôs a elementos da cultura funk, argumenta que o verdadeiro problema reside nas letras, não no ritmo contagiante que caracteriza o gênero. Essa discussão sublinha a complexidade da relação entre música, política e a cultura popular no Brasil contemporâneo.