O legado do cantor Jessé, que deixou sua marca na música brasileira entre os anos 70 e 90, volta a ser celebrado com o lançamento do álbum “Alguém cantando”, de Moisés Navarro. Com estreia marcada para 13 de novembro, a obra é uma homenagem a esse artista cuja carreira foi marcada por pseudônimos e uma voz inconfundível.
Nascido Jessé Florentino Santos em Niterói (RJ) em 1952, ele se lançou no cenário musical sob o nome Christie Burgh, inspirado no cantor irlandês Chris de Burgh, e posteriormente adotou o nome Tony Stevens. Porém, foi a partir de 1980, após sua passagem pelo grupo Placa Luminosa, que ele se consolidou como Jessé, especialmente após sua performance no Festival MPB-80 com a poderosa canção “Porto solidão”.
Agora, 46 anos depois, “Porto solidão” ressurge na voz de Moisés Navarro, que, ao lado de Claudya, revisita o repertório de Jessé em um projeto que promete trazer à tona a relevância do cantor fluminense, falecido em 1993 em um trágico acidente de carro. Embora o álbum tenha a intenção de homenagear Jessé, a escolha de repertório traz à tona um desafio: mais da metade das faixas não são diretamente associadas à sua voz marcante.
Com arranjos do pianista Alexandre Vianna, “Alguém cantando” inclui clássicos como “A noite do meu bem” e “Romaria”, que embora sejam grandes canções, podem não ressoar na memória coletiva como as poderosas interpretações de Jessé. A proposta de Navarro de explorar essas músicas, que não têm a mesma conexão direta com o artista, traz um novo olhar sobre a obra de Jessé, mas pode diluir a força da homenagem esperada.
A gravação de “Solidão de amigos”, que também passa por uma nova interpretação, assim como outras faixas do repertório de Jessé, mostra que a música continua a ter vida própria e que novos artistas podem reinterpretá-la de maneiras que desafiam o passado. No entanto, é importante lembrar que Jessé não foi apenas um intérprete, mas uma voz singular que definiu uma época na música brasileira.
Com “Alguém cantando”, Moisés Navarro não só presta tributo a um cantor que deixou saudade, mas também provoca uma reflexão sobre a própria identidade musical e a maneira como as canções se transformam ao longo do tempo. Resta saber se essa nova abordagem será bem recebida pelo público que, por mais de quatro décadas, ainda se lembra da potência e da emoção que Jessé trouxe à sua música.




