Em cartaz até o final de novembro no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, “Moraes musical Moreira” traz à cena a rica trajetória do cantor e compositor baiano Moraes Moreira, que deixou uma marca indelével no Carnaval e na música popular brasileira. Após sua estreia em Salvador, o espetáculo dirigido por Ana Paula Bouzas se destaca por sua originalidade e pelo uso criativo da forma de cordel, homenageando a obra de um artista que sempre valorizou suas raízes nordestinas.
A dramaturgia de Fábio Espírito Santo, embora viaje em sua primeira meia hora, logo ganha ritmo e energia, culminando em um final vibrante que celebra a brasilidade e a alegria características das composições de Moraes. A narrativa é enriquecida pela presença de personagens como o Poeta Cantador, interpretado por Rodrigo Sestrem, que atua como uma espécie de coro moderno, e o Vaqueiro do Som, representado por Cris Meirelles, que simboliza a jornada de Moraes desde Ituaçu até Salvador e o Rio de Janeiro.
O espetáculo consegue equilibrar sucessos conhecidos e canções menos populares, apresentando cerca de 40 composições que refletem a diversidade da carreira de Moraes. A segunda metade do musical, marcada pela presença do Trio Elétrico, intensifica a conexão com o Carnaval, ao mesmo tempo em que reafirma a crítica do artista à industrialização da festa. A interação com o público se torna palpável, especialmente no número final, que promete animar qualquer celebração.
A direção musical, a cargo de João Milet Meirelles e Ronei Jorge, é um tributo ao legado de Moraes, trazendo um toque contemporâneo que dialoga com o pagodão baiano. A grandeza do musical não reside apenas na performance, mas também na forma como ele encapsula a essência de um dos maiores nomes da música brasileira, fazendo jus à sua influência duradoura. “Moraes musical Moreira” é, portanto, um convite à reflexão e à celebração, uma experiência que resgata a memória de um artista fundamental enquanto promove uma vivência teatral rica e envolvente.




