Na corrida eleitoral de 2026, a estratégia de candidatos da direita de utilizar jingles de funk para atrair o público jovem se revelou uma abordagem controversa. Mesmo com a intenção de viralizar nas redes sociais, a falta de apoio de artistas do gênero e a hipocrisia percebida por muitos críticos geraram debates acalorados.
Candidatos como Eduarda Campopiano, Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Flávio Bolsonaro realizaram eventos de campanha ao som do funk, um fenômeno que, segundo dados do Spotify, viu seis músicas de apoio ao candidato do PL entre as 50 mais tocadas no país em um domingo de segundo turno. O funk, assim, tornou-se a trilha sonora dos atos de campanha e uma forma de engajamento para os jovens.
Por outro lado, essa relação dos políticos de direita com o funk contrasta com suas críticas ao gênero, muitas vezes associando-o a uma “narcocultura”. Isso levanta questões sobre a autenticidade de sua mensagem, especialmente quando figuras como Lucas Pavanato, que se opôs a festas de rua, celebram sua vitória ao som do mesmo estilo que criticam. A ambivalência de seus discursos gera um desconforto evidente entre os eleitores e os próprios artistas do funk.
A polarização no funk também se intensificou desde sua popularização na última década. Embora tenha se mantido apolítico em seus primórdios, a produção musical começou a se conectar com a política, como demonstrado pela candidatura de Rodrigo Oliveira, fundador da GR6. No entanto, a divisão entre os MCs se acentuou nas eleições recentes, com muitos artistas se alinhando ao lado de Lula e criticando o uso do funk por candidatos conservadores.
A situação atual revela um dilema: a liberdade criativa dos políticos de direita é frequentemente defendida, mas a resposta do público e dos artistas do funk sugere que essa estratégia pode não ser tão bem recebida quanto esperavam. A rejeição a figuras como Pavanato dançando funk, por exemplo, mostra que a conexão entre política e cultura popular é mais complexa do que parece. Em um cenário onde o funk não tem dono, a luta pela autenticidade e respeito ao gênero continua a ser um tema central no debate político do país.
Crédito da imagem: Funk de camapnha do Flávio viralizou entre os jovens



